Rentabilizar o Imobiliário do Estado

Leio na imprensa britânicaque o Governo Inglês vai montar dois veículos para gerir algum património do Estado, nomeadamente um em Central London, outro em Bristol. Serão veículos-piloto, experimentais, com o objectivo de poupar custos de gestão e manutenção, profissionalizar e concentrar a gestão e angariar investidores institucionais. Com esta medida, o Governo Britânico prevê atingir poupanças na ordem das £ 5 bn.

Adicionalmente, o Governo anunciou ainda o congelamento de novos arrendamentos e renovação de arrendamentos em curso até 2015, com o objectivo de poupar mais de £ 250 million só em custo de rendas, nos próximos 5 anos.

Por cá, o Ministério das Finanças encomendou um estudo ao IPD, onde parece constar que o Estado poderia poupar mais de € 1,25 mil milhões com edifícios ocupados pelo Estado. Pelo que entendi, este valor resulta da aplicação de uma média de custo de ocupação por trabalhador, que calculo seja bastante elevado nos edifícios do Estado. Se assim for, parece-me que o valor em causa valerá pouco porque estamos a falar em valores médios que, uma vez aplicados à realidade, dificilmente serão concretizados.

No entanto, tenho poucas dúvidas que com uma gestão eficiente do património imobiliário do Estado se atingiria uma poupança considerável, não tão próxima dos valores referidos pelo IPD – seria impossível optimizar todas as estruturas do Estado – mas seria de qualquer forma um valor importante.

Eu decidi fazer algumas contas simples, pegando nestas duas ideias. De acordo com o Relatório do PGPI referente ao 1º semestre de 2010, o Estado tinha 923 imóveis tomados de arrendamento, representando um encargo de rendas na ordem dos € 87,8 Milhões. 80% deste custo está concentrado em edifícios localizados em Lisboa e Porto. Aqui contabilizam-se apenas os Ministérios, faltando os inúmeros Organismos Públicos que existem em Portugal…

Eu sei – como muitos de vós também saberão – que existem espaços arrendados pelo Estado quando este é dono, ao mesmo tempo, de outros imóveis devolutos. Numa lógica de maior eficiência na gestão do património imobiliário do Estado, dever-se-ia levar a cabo um trabalho de análise das estruturas do Estado tendo por objectivos:

Poupança de custos, pelo congelamento e redução dos arrendamentos no Estado;
Rentabilização do património, através da relocalização de estruturas do Estado de imóveis arrendados para imóveis propriedade do próprio Estado;
Maior eficiência e redução dos custos de ocupação, por via da concentração de serviços;
Constituição de um veículo de investimento, detido a 100% pelo Estado Português e constituído por imóveis por si ocupados;
– Contratação de gestão profissional e independente;
– Dispersão de 49% do veículo a investidores institucionais.

Contas feitas, se apontarmos como objectivo uma redução de 50% nos arrendamentos actuais dos Ministérios, teríamos uma poupança imediata na ordem dos € 44 Milhões e possibilidade de uma receita extraordinária, no futuro, superior a € 300 Milhões.

Mais eficiência, mais poupança, mais receita. O que esperamos?

Bons negócios (imobiliários)!

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1 Comment

  • Gonçalo Nascimento Rodrigues
    26 de Outubro, 2010, 9:02

    E ainda dinamizamos o investimento institucional em Portugal, modernizamos edifícios actualmente devolutos e carenciados de obras, reabilitamos espaços públicos…

    Posso estar a ver mal, mas só vejo vantagens!

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