O primeiro trimestre de 2025 trouxe sinais claros de recuperação gradual para o mercado imobiliário global, mostrando uma certa alteração de tendências de investimento. Apesar de alguns desafios persistentes, como a redução de lançamentos de novos fundos e mudanças nas estratégias de captação, há um notável aumento da atividade transacional, refletindo uma nova fase para investidores e gestores de ativos imobiliários.
Captação de Fundos: Maior Concentração e Estratégia Refinada
O relatório da Realfin aponta uma redução de 26% no número de fundos que chegaram ao fim das suas subscrições, totalizando 180 fundos. Contudo, o tamanho médio dos fundos aumentou significativamente para USD 237 milhões, face aos USD 160 milhões do último trimestre de 2024. Este crescimento reflete uma preferência dos investidores por fundos maiores e com estratégias bem definidas.
As estratégias oportunísticas e de value-add dominaram o mercado, atraindo respectivamente USD 18 biliões e USD 13,3 biliões. Em contraste, os fundos core captaram apenas USD 732 milhões, um valor historicamente baixo. Curiosamente, apesar do número reduzido de fundos de dívida imobiliária (14 no total), houve uma forte captação de USD 10,8 biliões, impulsionada principalmente por um fundo significativo da Blackstone.
Atividade Transacional em Recuperação
A atividade transacional ganhou ímpeto, registando 1.304 transações concluídas neste trimestre. Esta é uma melhoria face à média de 1.117 transações trimestrais de 2024. Geograficamente, a América do Norte destacou-se, absorvendo cerca de 75% dessas operações.
Além disso, observou-se uma diversificação saudável entre setores, com os segmentos de escritórios, residencial e industrial, mostrando níveis semelhantes de interesse.
Menos Novos Fundos, mas com Estratégias Mais Diversificadas
Foi notável a redução no lançamento de novos fundos, com apenas 111 iniciando atividade, o número mais baixo desde 2016. Este recuo acompanha a queda nos objetivos de angariação de capital, que passou de USD 59,2 biliões no final de 2024 para USD 37,2 biliões.
A Europa enfrentou um cenário particularmente desafiante, captando somente USD 4,1 biliões em novos fundos, o valor mais baixo da última década. Em contrapartida, fundos com abordagens diversificadas aumentaram a sua participação, respondendo por 41% dos novos lançamentos, a maior percentagem desde 2018.
Investidores Buscam Diversificação e Menor Risco
Os investidores continuam a preferir estratégias value-add e oportunísticas, que representaram mais de metade do capital levantado. Contudo, o montante objetivo para oos fundos core atingiu USD 10,6 biliões. Assim, o mercado sinaliza uma mudança potencial: embora atualmente os fundos core estejam a captar pouco capital (732 milhões), já existe uma expectativa futura positiva refletida no capital-alvo dos novos fundos core (10,6 biliões). Esta diferença pode indicar que o interesse dos investidores está a voltar para estratégias mais conservadoras, mas os efeitos concretos (captação efetiva) só deverão refletir-se nos próximos trimestres.
Investidores Institucionais Mostram Sinais Positivos
As alocações dos investidores institucionais aumentaram 12,4% face ao trimestre anterior, totalizando USD 36,1 biliões. Esta tendência reforça uma recuperação das preferências por fundos diversificados, que captaram USD 27,6 biliões — o maior nível dos últimos cinco anos.
Os fundos com abordagem global ou multirregional tiveram um desempenho superior, enquanto os focados especificamente na América do Norte lideraram individualmente, com uma captação de USD 12,7 biliões através de 139 fundos.
O início de 2025 sugere, assim, uma recuperação progressiva do mercado imobiliário global, com ajustes importantes nas estratégias de captação e investimento. Apesar dos desafios, existe um evidente interesse em diversificação geográfica e setorial, destacando oportunidades para investidores atentos às mudanças dinâmicas do mercado.
Bons negócios (imobiliários)!







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