Estaremos preparados para fazer unplug ao VUCA e BANI?

Estaremos preparados para fazer unplug ao VUCA e BANI?

O mundo mudou bastante nos últimos anos. Eventualmente, mais depressa do que imaginávamos fomos obrigados a redefinir a forma como trabalhamos, como interagimos com os outros, como decidimos o lugar onde vivemos ou até como consideramos o que é mais ou menos urgente nas nossas vidas. Também as empresas foram obrigadas a acompanhar esta mudança, incluindo nos seus business-plans avultadas verbas para cibersegurança e amplos investimentos na transformação digital dos seus negócios. Mas para que se compreenda como aqui chegámos, podemos encontrar algumas respostas em conceitos como mundo VUCA e BANI.

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VUCA, iniciais de Volatility + Uncertainty + Complexity + Ambiguity, foi um conceito criado no pós-guerra fria, pelo exército americano, que visava preparar os seus militares para cenários complexos, instáveis e em constante mudança, conceito que desde logo ganhou bastante significância no mundo corporativo, tendo-se enfatizado devido à globalização e interconectividade, aliada a uma velocidade crescente da comunicação, factores que acabam inevitavelmente por impactar mudanças nos mercados obrigando as empresas a reinventar os seus modelos de negócio. Ou seja, o mundo tornou-se cada vez mais volátil, pela velocidade da evolução tecnológica, mais incerto, pela incapacidade das pessoas acompanharem essa mudança, mais complexo, pelo considerável aumento de factores que passaram a ter que ser considerados na tomada decisões (pelo aumento da informação à nossa disposição), e mais ambíguo, já que desses factores poderemos retirar mais e diferentes conclusões. Note-se que este contexto ganha especial importância no final da década de 90, altura do boom da internet.

Um exemplo desta modernidade líquida pode ser medido pelo tempo que cada tecnologia demorou a atingir 50 Milhões de utilizadores:

– a rádio, 38 anos,
– a TV, 13 anos,
– a Internet, 4 anos,
– o Facebook, pouco mais de 3 anos
– o Instagram apenas 6 meses…

…mas o mais rápido foi o fenómeno pokemon, que levou apenas 22 dias, imagine-se!

Já o mundo BANI, Brittle (Frágil) + Anxious + Non-linear + Incomprehensible, que surge como uma evolução do anterior conceito, teve o seu expoente máximo no período COVID que, por sua vez, ditou um indiscutível aceleramento da transformação digital, como sabemos. Este conceito vem, acima de tudo, alertar para a fragilidade do mundo como o conhecemos, sempre susceptível a constantes catástrofes e sem qualquer precisão temporal, como é possível constatar com os recentes eventos mundiais como a guerra ou a pandemia. Por seu turno, esta condição obriga-nos a viver em ansiedade e a tomar decisões num contexto não linear, já que o que decidirmos hoje pode deixar de fazer sentido amanhã e, como tal, fazer grandes planos de negócio deixa de fazer tanto sentido, enfatizando-se aqui mais a capacidade re-inventiva e reactiva das empresas à mudança constante. Por último, é natural que tudo isto cause incompreensão, mais ainda, quando a evolução em algumas áreas de negócio recai para complexas soluções tecnológicas, como a inteligência artificial e onde o imobiliário se inclui, algumas vezes de difícil percepção para a generalidade das pessoas.

Ou seja, a fragilidade constituída em BANI tanto pode ser sentida por uma pandemia instalada a nível mundial, como por um simples black-out no whatsapp que nos deixa irritados e desorientados…. Há franjas da nossa sociedade que já não conseguiriam “reencontrar-se” caso fossem obrigadas a viver sem a tecnologia na ponta dos seus dedos e este é o mundo em que vivemos, suportado por tecnologia que nos interliga e que nos apresenta, no dia a dia, cada vez mais inovações, muitas delas difíceis de entender, mas que nos deixa a sensação de urgência em acompanhar. As empresas vivem no mesmo contexto, programando as suas actividades com base em premissas que hoje fazendo sentido, amanhã podem deixar de fazer, se a mudança surgir sem aviso e proveniente de uma força maior.

A relação com o imobiliário

Com maior ou menor profundidade conceptual que se queira encontrar nestas extrapolações teóricas do caos, e fazendo a ponte com o sector do imobiliário, a verdade é que estamos a presenciar uma mudança no paradigma do mercado, imposta mais uma vez por uma força maior e que está a influenciar a Europa e o mundo. A fragilidade que define BANI sente-se, aos dias de hoje, na nossa impotência, por exemplo, em adquirir a matéria-prima ou contratar a mão de obra em falta nas nossas obras. A incerteza e instabilidade causadas por constantes alterações legais, por exemplo, deixam-nos reticentes, no dia a dia de trabalho e aumentam o risco nos nossos investimentos. Contudo, ao mesmo tempo, a velocidade com que sentimos as vendas a acontecer, a forma como novos formatos de pagamento ganham importância, o dinamismo com que vemos as nossas cidades inundadas de turistas, o contexto acelerado com que se fala das cidades do futuro, de renováveis, de sustentabilidade e políticas de ESG e o dinamismo com que o mercado vai recebendo novos projectos integrando todas estas valências, dá-nos a vontade de acompanhar e continuar a tomar as decisões estratégicas com base naquilo que acreditamos ser o caminho a seguir, hoje.

Há, no entanto, quem consiga viver em sentido contrário desta azáfama. Tanto no turismo como no imobiliário, começa a ser frequente depararmo-nos com discursos orientados para a originalidade, genuinidade e simplicidade de conceitos, pondo à disposição dos seus utilizadores uma versão slow-motion da vida, mais desligada da globalidade, permitindo uma experiência à lupa e orientada para o momento presente. Conceitos “UNPLUGED” que saltam para as primeiras páginas dos nossos planos de marketing e que nos ajudam também a encontrar o equilíbrio natural em cada um de nós.

Longe do caos, desdramatizando conceitos BANI e aprendendo a viver o momento presente. Será este o modelo que segue e estaremos nós preparados para fazer unplug?

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