O tema da Evergrande tem estado na ordem do dia. No entanto, é tudo uma questão de escala:
- Capitalização bolsista (meados de 2020): $40 Bn
- Capitalização bolsista (hoje): $4 Bn
- Dívida da Evergrande: $300 Bn (dívida de Portugal: $315 Bn)
- Financiadores: 170 bancos + 121 outras sociedades financeiras
- Dívida denominada em dólar: $19 Bn
- Projetos em construção: 787 (123 M m2)
- Projetos detidos 1300
- Empregados: 200.000
- Apartamentos em construção: 1.5 M (números de fogos concluídos em Portugal (em 2020): 20.000)
- Outras atividades do Grupo: agricultura, seguros, produção de cinema, entretenimento, produção de carros elétricos e clube de futebol.
Nos últimos anos, o governo Chinês iniciou um processo de controlo do grau de endividamento da economia e do sector da construção (o qual tem representado quase 1/3 do PIB Chinês). O governo Chinês decidiu apostar num modelo de crescimento menos assente em dívida e mais em valor acrescentado.
A dimensão do setor da construção, que tem produzido um excesso de oferta face à procura, tornou-se uma ameaça para a estabilidade da economia. Com efeito, alguns relatórios elaborados por consultoras independentes apontam para um excesso de habitação suficiente para acomodar 90 milhões de pessoas ou 30 milhões de famílias.
Neste contexto, foi introduzido um conjunto de regras ao setor da construção que visavam limitar o seu endividamento. Estas regras são:
- Rácio de endividamento (Capital Alheio / Ativo Total): < 70%
- Dívida líquida / Capital próprio: <100%
- Ativos líquidos / Dívida de curto prazo: >100%
Ora, a Evergrande não cumpriu nenhuma destas regras e acabou por ser uma das “vítimas”, porventura a maior, da implementação deste processo.
Com um rácio de endividamento próximo dos 90% (meados de 2020), as restrições impostas pelo governo chinês tiveram uma consequência imediata no seu rating de crédito (ver Figura 1). Desde de Setembro de 2020, o seu rating foi revisto em baixa por diversas vezes e, atualmente, está a um passo de Default.
Figura 1 – Rating de Crédito da Evergrande

A alteração de rating associada às dificuldades de financiamento das operações, visto que a banca chinesa é maioritariamente pública e fechou-lhe as portas, conduziu a problemas de liquidez. A falta de liquidez conduziu a práticas de venda mais agressivas e à venda de imóveis com descontos cada vez maiores, o que originou problemas económicos.
Neste contexto, a Evergrande começou a financiar-se com os depósitos resultantes das vendas dos imóveis. Quando estes montantes se esgotaram, os inúmeros projetos em construção foram suspensos e milhares de pessoas podem ficar privadas das suas poupanças e habitação. É este último fator que poderá levar à atuação do governo Chinês e ao resgaste da empresa, evitando que estes milhares de pessoas sejam prejudicados.
Mas há outros efeitos colaterais desta intervenção estatal, pois a desaceleração /recessão do setor da construção conduzirá a:
- Deficits nos orçamentos dos municípios, visto que uma parte substancial do orçamento das regiões chinesas são as receitas resultantes da venda de terrenos aos grandes construtores;
- Diminuição da inflação visto que o alívio da pressão sobre a procura de matérias-primas e outros recursos, como o ferro, cobre, aço e cimento deverá conduzir a uma diminuição dos preços, o que deverá ter reflexos positivos noutros setores de atividade, a nível mundial.88







Leave a Comment
Your email address will not be published. Required fields are marked with *